Toda vida fui uma pessoa eclética e sempre tive amigos que pensavam de todas as possíveis e inimagináveis formas. Porém, nunca fui julgado por minhas atitudes, tampouco por meus modos. Mas, por certo, sempre me fizeram muitas perguntas a respeito. Como posso conhecer hippies e frequentar raves ou me envolver com grupos intelectuais, para escrever artigos, ou, simplesmente, discutir política internacional?
Ouvir desde antigas canções italianas e espanholas ao rock progressivo americano, não se trata de pura auto-estima ou demonstração de grande conhecimento. Mas, sim, de múltiplos interesses e prazer próprio. Claro: soa estranho a alguns, tal posição eclética…
Na semana passada, em um shopping center na cidade de BH, resolvi fazer algo que há muito não fazia: entrar em uma loja de CD´s (porque não?) e comprar alguns para ouvir em casa e relaxar – embora hoje as coisas mudaram demasiadamente, não é mesmo? O que era CD virou MP3; a bala, antes encontrada, hoje é perdida; carnaval de rua se chama micareta; guaraná Taí virou Kuat e por aí vai, embora nenhum deles realmente deixou de existir…
Rodeado de inúmeras opções, diversos artistas, músicas variadas e estilos discrepantes, resolvi comprar o que gosto, e não fugindo ao meu modo, escolhi um belo CD de canções espanholas de Julio Iglesias e um ótimo Ozzy Osbourne – em um show ao vivo. Com ambos os discos, me dirigi ao atendente da loja. O mesmo, bem ao estilo “bom entendedor musical” (camisa de rock, tênis all star, costeletas…), me olhou normalmente, pegou os dois CDs, verificou com atenção quais eram os artistas, e, sem titubear, me perguntou:
- Este é para presente não é? – rindo e me mostrando, com maestria, o CD do famoso cantor espanhol. Olhei para seus olhos e respondi:
- Não precisa embrulhar – “ó senhor da música e que tudo sabe”. Ambos são mesmo para mim.
Surpreso, mas sem demonstrar muito – aliás, vende-se até “Calipso” por ali – somou o valor da compra, colocou ambos os discos na sacola, recebeu o pagamento e agradeceu minha visita.
Então, saí do shopping center, comprei um milk-shake e enquanto voltava ao hotel, me perguntaram onde ficava o Palácio das Artes (devo parecer um típico belo horizontino). Virei e respondi ao jovem, em bom e claro spanish: “¡No lo sé, no soy de aquí! ¿Vale?”
No apartamento, liguei o som e comecei a ouvir Paranoid (live with Randy Rhoads), mas sem antes de ter apreciado a bela canção Begin the beguine, ou como diria Iglesias: Volver a empezar…por el amor de una mujer…
Agora, ao fim de tudo, você deve estar se perguntando onde está a graciosa Juliana Paes; o ditador de pijamas Fidel Castro ou os críticos comentários ao futebol brasileiro. Em lugar nenhum, ou por acaso você leria este texto se o título fosse: “Músicas, amizades e minhas preferências pessoais”?
Felipe Ferreira