Foi lá pelos idos de 93, 94, que ganhamos as madrugadas sem lei. A noite de Itaipava era de uma precariedade charmosa ao extremo, e combinava bem com o visual grunge que a galera adotava na época, assim como com a pouca verba adolescente. Era destino certo das noites de sábado na época em que aqui fazia muito mais frio do que faz. O principal ponto da galera era bar/restaurante de crepes (que existe até hoje – completamente reconfigurado e, como diz uma das donas, evoluído) que na parte de trás tinha um palco improvisado onde os melhores músicos da cidade se fizeram conhecidos e amados por todos. Era o palco, o frio e a fogueira, onde vários tocadores assíduos de viola também se fizeram amados e conhecidos, que levavam a noite até as 5 da manhã. E tome camel (cachaça com mel, vendida, na época, à equivalência de R$ 1,00) para esquentar as gargantas.
E assim foi que o blues impregnou a existência dos que viveram aquelas noites, junto com outros sons, The Doors, Janis Joplin, Led Zeppelin, Pink Floyd e, é claro, afinal, era a época deles, Nirvana e Pearl Jam. Depois todo mundo ia junto para o ponto de ônibus mais próximo esperar pelo corujão, que naquela época não tinha perigo (e eu continuo achando que até hoje não tem tanto assim… mas os adolescentes foram banidos das madrugadas por algum juiz da infância mal humorado).
Uma das bandas desta época tornou-se a nossa favorita, não sei exatamente se pelo som que faziam ou se pela quantidade de shows, e por mais de um ano teve uma galera que conseguiu ir a todos os shows dos caras – e eu fazia parte desse grupo! Sabíamos o repertório de cor, valendo interpretar as backing vocals em Mustang Sally – ride, Sally, ride – e tendo certeza que nenhum show terminava sem tocar Wish You Were Here. Falo sem saudosismo porque vivi cada minuto daquelas madrugadas. Para você que não viu The Commitments:
E ontem, caçando o que fazer na boa e velha Itaipava, show da banda no bar/restaurante evoluído! Boa supresa – faz um tempinho, esses músicos resolveram se reunir para alguns shows. Foi bom para recordar, embora eu sempre tenha uma certa nostalgia da precariedade da fogueira. Lugar cheio, som impecável. Só não fiquei para ver se tocou Wish You Were Here. Não sou mais uma adolescente, agora o restaurante tem comanda e a fila para pagar, quando o show termina, estraga o glamour de qualquer noite!
Maria





Música sensacional!!!!!! nunca ouvi e nem vi o filme. Já estou baixando para ver.