A Sobremesa

21 07 2009

Era uma tarde de verão, daquelas quentes em que o sol tem preguiça de ir embora, e do nada apareceu a prima de uma amiga querida, que resolveu subir a serra para dar um alô. Dobrados de fome, agravada pelo sol e pela cerveja, ‘resolvemos’ – uma turma de umas oito pessoas, voto vencido: o meu – almoçar num restaurante de paellas, uma certa estravagância, não exatamente em homenagem à prima, que mal comeu, mas ao clima de alegria que se instalou naquela tarde após sua chegada.

O lugar tem uma cara bem mediterrânea, fica numa colina, e o sol nos fez companhia ainda por um bom tempo. Apesar do clima alegre, excelentes companhias, flertes, ciúmes, sangria espanhola rolando solta, frivolidades, e até um baile improvisado, eu sabia que ia ter que me garantir na sobremesa: as paellas envolviam, é claro, camarões, mariscos, lulas, e tudo mais que vem do mar e eu não como, e os outros pratos eram coelho, cordeiro, e outras esquisitices para as quais torci o nariz.

Ao percorrer o cardápio com os olhos, rezava por um prato de massa enumerado naquela parte ‘pratos infantis’, mas não encontrei. Aquele não era definitivamente um restaurante para crianças. Percebendo minha má vontade que se encaminhava para uma desistência ou uma salada simples, um membro do G-8 pede ao dono do restaurante, que a esta altura já estava sentado em nossa mesa: “faz um bife com ovo para a Maria?”. Que vergonha! Preferia não ter pedido nada a alguém ter dito isso por mim num restaurante de paellas! O dono, pessoa especialíssima, foi demasiadamente gentil e ainda brincou comigo, para diminuir meu constrangimento. Disse afinal que faria o filé. Dispensei o ovo, ele ofereceu fritas. Segue a tarde, segue a sangria, segue o baile.

Sobremesa. Ufa! Finalmente algo espanhol! Uns pediram sorvete, outros, dispensaram, pediram café. “Maria, e você?” Me traga uma ‘crema a catalana’. “E você delator, deseja alguma coisa?” Não, não, só um café. Eu dou um ‘tapa’ na ‘catalana’ da Maria.

A mesa toda ouviu o comentário com malícia e nos desmontamos em risadas. Tarde inesquecível.

Maria





Memória de um planeta

15 07 2009

Uma memória só é memória se for lembrada (óbvio não?). Se ninguém registrar minha história ou se as provas materiais da minha existência se perderem, é como se eu não tivesse existido. Voltamos aquela clássica pergunta, se uma árvore cair e ninguém ver, ela realmente caiu?

Francisco Giordani, conhecem? Eu também não, provavelmente um camponês na Idade Média teve esse nome, mas ninguém o conheceu, ele não deixou registros materiais e ninguém o citou. Ele existiu?

O esquecimento me dá náusea!

Eta raça besta, continua achando que o universo gira em torno dos seres senscientes desse pequeno ponto azul.

Como diria um filósofo argentino: “hay que haber disposición”. Créuuuuu!

Guilherme Claudino