
O abacaxi é nosso
Guerra é paz
Liberdade é escravidão
George Orwell, 1984
O esporte é o ópio do povo
Ironia, afirmou o Estado de São Paulo: pra mim, “Yes We Créu” que embalou o twitter na comemoração da vitória carioca na disputa foi uma grande piada. Veio corroborar para a questão que abordei num texto publicado no Observatório da Imprensa referente ao “Fora Sarney”:
- dançamos conforme a música, mesmo criticando; a euforia da massa nos contamina como uma espécie de histeria: e está nas duas faces da moeda. Mas não vou voltar a esse assunto. Quero tentar sintetizar minha opinião a respeito dá escolha do Rio 2016, o que não é fácil.
Ufanismo: Deus é Brasileiro.
A primeira impressão é de presenciar o bom e velho ufanismo chauvinista latino americano em ação. Uma coisa meio desesperadora. Enquanto uma estrangeira diz: “Gostei dessa dança. É tão tribal”, ao clicar no link que explicava o sentido da palavra Créu no trocadilho com o refrão Barack Obama – “Yes, we can”, sujeitos soltam elogios ao amado presidente por essa conquista.
Os que defendem o sentido de conquista, buscam argumento: é uma vitória para os atletas; outros já vem a possibilidade de lucrar; de crescer; o velho refrão do país do por vir, do vir-a-ser, do futuro. Eu pergunto: é preciso uma olimpíada para valorização dos atletas? Eu estudei em escola pública e nunca tive uma aula de educação física decente. Joguei bola no juvenil da cidade, mas na maioria das vezes, a gente que bancava a viagem e comida; perdi até a possibilidade de jogar uma final uma vez, porque não tinha dinheiro pra ir. Hoje a situação é pior: nem secretário de esportes temos na prefeitura de Luminárias. As divisões de base sumiram (e eu estou falando só de futebol, hein?). Natação? Atletismo? Ciclismo? Não. Quando muito umas motos barulhentas soltando CO2 na atmosfera em enduros “Ecológicos”.
Quem lucra e quem paga a conta: 2+2 = 5
Quanto aos lucros, eu vejo gastos. Quem vai pagar a conta das obras que vão custar duas vezes aquilo que governo gasta com o Bolsa Família, o maior “programa social” do governo Lula? Eu, você: cada um de nós. Não é atoa que o Bradesco está apoiando essa campanha com uma bela propaganda na televisão. Talvez sejam eles que vão emprestar o dinheiro ao governo: empréstimo que vai doer nos nossos bolsos. Temos a maior taxação de imposto do mundo, agora imaginem com esse gasto extra? Vocês acham que se fossem em outros tempos, digo – fora da crise, o Brasil pegaria essa “bocada”: nos estamos é com um grande abacaxi nas mãos. O povo de Chicago não queria assumir porque sabia que a hora é de conter e não gastar tanto dinheiro com uma festa.
Ah, mas a Olimpíada traz muitos benefícios!!!
Os Jogos Pan- Americanos não demostraram isso.
O Rio de Janeiro continua lindo 2016: o pavão.
E o espírito olímpico? onde fica? Bom, essa entidade abstrata não vai mudar as relações de pobreza entre as pessoas. Como eu disse no twitter ontem:
“como um pavão vaidoso: de penas lustrosas e pés imundos”
,
Essa é a situação, nessa minha primeira análise. Vamos recorrer ao agiota pra enfeitar a casa, socar a poeira pra baixo do tapete, descongelar aquele pernil, trancar as crianças bagunceiras no quarto, tirar aquele jogo de louça chinesa que ganhamos da vovó e servir os convidados como não servimos a nós mesmo.
Tomara que eu esteja errado…
Marcos Vinícius Almeida





Bem, sou suspeito pra falar porque sou um viciado em esportes. Mas eu acredito que essas Olimpíadas podem mudar muita coisa nesse país sim, do ponto de vista esportivo. Infelizmente é preciso uma olimpíadas no Brasil para haver valorização dos atletas. Por um simples motivo: cultura se modifica ou com muitos e muitos anos de atitudes ou com um “algo a mais”, um fator determinante. E a cultura nossa sempre foi do futebol apenas(que eu amo,por sinal), do “segundo lugar não serve para nada”, “ah, mas ele ganhou só um bronze”. E as olimpíadas vão fazer mudar essa cultura, porque os governos vão ter que investir pesado e não vai ser dinheiro jogado fora, se bem empregado e se for bem fiscalizado por nós.
Bem, tem um texto no blog do Lédio Carmona, em que ele é até um pouco ingênuo mesmo, mas que eu concordo em parte com seu comentário: http://colunas.sportv.globo.com/lediocarmona/
O Brasil precisa, em primeiro lugar, se preocupar com outras “olimpíadas”; como a prova do Pisa (Programa Internacional para a avaliação dos alunos) que analisa os conhecimentos de leitura, matemática e ciências.
O PISA (desenvolvido e coordenado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), é um programa de avaliação comparada, cuja finalidade é produzir indicadores sobre a efetividade dos sistemas educacionais, avaliando o desempenho de alunos na faixa dos 15 anos, idade em que se pressupõe o término da escolaridade obrigatória na maioria dos países.
Nesta “olimpíada”, o Brasil nunca é campeão e por isso não possui nenhuma medalha. Nas vezes que “competiu”, nosso país sempre apareceu entre os últimos lugares da lista…
Os “atletas” do Pisa são mal treinados, mal alimentados e carecem de infra-estrutura. Isso tudo me deixa preocupado, pois quando perdem, não perdem apenas medalhas, mas sim, a chance de garantir um futuro melhor, um bom emprego, boas oportunidades na vida…
Segundo o próprio ministro dos Esportes, gastamos mais de 100 milhões de reais somente na candidatura do Rio de Janeiro e recebemos o prêmio, embalados por um discurso emocionado do atual presidente da república.
Reconheço todos os méritos, mas gostaria de ver os mesmo esforços aplicados nesta outra “olimpíada”, em um discurso, (no primeiro dia letivo do ano) para todos os alunos do país, sobre a importância da educação na formação de um futuro melhor e a garantia de bilhões em investimentos na educação.