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	<title>Café Bossa Nova</title>
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		<title>Café Bossa Nova</title>
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		<title>curta metragem</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 23:51:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maria</dc:creator>
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		<description><![CDATA[… e depois permaneceram por um tempo ali, largados, semi-nus, semi-vestidos, que na intimidade condizente com a relação que tinham não havia lugar para corpos entrelaçados. Ele passeava com os dedos na linha de pele que ficava à mostra entre a camiseta e seu sexo vestido. Forçando mais para baixo o elástico, sorriu e disse [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafebossanova.wordpress.com&blog=2941201&post=490&subd=cafebossanova&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>… e depois permaneceram por um tempo ali, largados, semi-nus, semi-vestidos, que na intimidade condizente com a relação que tinham não havia lugar para corpos entrelaçados. Ele passeava com os dedos na linha de pele que ficava à mostra entre a camiseta e seu sexo vestido. Forçando mais para baixo o elástico, sorriu e disse a ela: “você também não é muito adepta de depilações radicais”. Ela não conteve a risada. Ele continuou: “eu gosto”.</p>
<p><strong>Maria</strong></p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cafebossanova.wordpress.com/490/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cafebossanova.wordpress.com/490/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cafebossanova.wordpress.com/490/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cafebossanova.wordpress.com/490/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cafebossanova.wordpress.com/490/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cafebossanova.wordpress.com/490/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cafebossanova.wordpress.com/490/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cafebossanova.wordpress.com/490/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cafebossanova.wordpress.com/490/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cafebossanova.wordpress.com/490/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafebossanova.wordpress.com&blog=2941201&post=490&subd=cafebossanova&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Os silêncios da história e o massacre da memória</title>
		<link>http://cafebossanova.wordpress.com/2009/10/07/os-silencios-da-historia-e-o-massacre-da-memoria/</link>
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		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 15:55:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>André Paravizo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Posts]]></category>

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		<description><![CDATA[Num desses escuros becos da História brasileira, me deparei com uma pergunta que instigou profundamente minha curiosidade: Qual terá sido a dimensão do golpe de 1964 em Varginha?
Com essa dúvida iniciei minha jornada por essa fascinante vereda. Meu interesse é em específico pelos opositores ao golpe, aqueles que foram perseguidos e resistiram ao governo ditatorial.
Em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafebossanova.wordpress.com&blog=2941201&post=487&subd=cafebossanova&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Num desses escuros becos da História brasileira, me deparei com uma pergunta que instigou profundamente minha curiosidade: Qual terá sido a dimensão do golpe de 1964 em Varginha?</p>
<p>Com essa dúvida iniciei minha jornada por essa fascinante vereda. Meu interesse é em específico pelos opositores ao golpe, aqueles que foram perseguidos e resistiram ao governo ditatorial.</p>
<p>Em busca de relatos cheguei a alguns nomes e acabei restringindo minha pesquisa para os que haviam sido perseguidos e presos.</p>
<p>Por intermédio do meu tio, vulgo Nico da Cive,  marquei o encontro com um senhor, que pelas circunstâncias prefiro omitir o nome, para fazer algumas perguntas e coletar algumas informações.  Chegando ao local combinado tomei um banho gelado logo de cara. O homem de cabelos brancos, de idade avançada e uma firmeza ao cumprimentar que não condiz com sua idade, se recusou a falar. Disse que esse passado o atormenta,  que são lembranças tristes, que viu muita coisa e que dói mexer nesse baú da memória.  Apenas me deu alguns outros nomes de pessoas que haviam sido presas. Senti naquele aperto de mão da despedida a força de um homem esquecido na memória coletiva da cidade.</p>
<p>Esse silêncio em um primeiro momento me deixou decepcionado. Mas como para o historiador até o silêncio pode ser uma fonte, tentei pensar sobre o ocorrido. E por uma questão de raciocínio lógico, que nem sempre é o melhor caminho na área das ciências humanas, cheguei a uma conclusão. Se esse homem teme publicizar esse passado é porque ele realmente foi atemorizante, o que nos leva a repensar a repressão militar no interior do país, quase nunca levada muito a sério, já que se parte do pressuposto que tanto a resistência como a repressão se encontravam centralizados nos grandes centros.</p>
<p>Pensei algo mais. Como é triste e até revoltante ver que muito desses homens foram esquecidos e podem morrer quase que no anonimato, enquanto braços da ditadura estão na ponta da língua da memória política local e mais, que círculos políticos ligados a esses nomes continuam na ativa e com grande força local e até com projeção nacional.  “A memória de lutas são lutas de memória”, por isso mexer nesse baú pode ocasionar certos incômodos que ferem a construção de algumas imagens e nomes de famílias e políticos da cidade.</p>
<p>Como a memória individual, a memória coletiva é também seletiva. Alguns fatos são escolhidos para ficar de fora da prateleira da história e outras para serem expostos em outdoors. O passado muito das vezes é à base de legitimidade do presente. Grande parte dos discursos políticos são pautados em referências que os ligam a um nome, grupo ou fato do passado.</p>
<p>Não quero recuperar aqui debates sobre esquerda e direita. Capitalismo ou Comunismo.  Só acho que nossa cidade não pode morrer de Alzheimer</p>
<p><strong>Guilherme Pereira Claudino</strong></p>
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	</item>
		<item>
		<title>Yes We Créu: o abacaxi é nosso!</title>
		<link>http://cafebossanova.wordpress.com/2009/10/03/yes-we-creu-o-abacaxi-e-nosso/</link>
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		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 16:31:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Vinícius Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Posts]]></category>

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		<description><![CDATA[
 
Guerra é paz
Liberdade é escravidão
George Orwell, 1984

O esporte é o ópio do povo

Ironia, afirmou o Estado de São Paulo: pra mim, “Yes We Créu” que embalou o  twitter na comemoração da vitória carioca na disputa foi uma grande piada. Veio corroborar para a questão que abordei num texto publicado no Observatório da Imprensa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafebossanova.wordpress.com&blog=2941201&post=474&subd=cafebossanova&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
<p style="margin-bottom:0;" align="RIGHT"><em><strong> </strong></em></p>
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 306px"><em><strong><em><strong><img src="http://www.artefolk.com.br/wp-content/uploads/2009/04/abacaxi.jpg" alt="O abacaxi é nosso" width="296" height="193" /></strong></em></strong></em><p class="wp-caption-text">O abacaxi é nosso</p></div>
<p><em><strong>Guerra é paz</strong></em></p>
<p style="margin-bottom:0;" align="RIGHT"><em><strong>Liberdade é escravidão</strong></em></p>
<p style="margin-bottom:0;" align="RIGHT"><strong>George Orwell, 1984</strong></p>
<p style="margin-bottom:0;" align="LEFT">
<p style="margin-bottom:0;" align="LEFT"><strong>O esporte é o ópio do povo</strong></p>
<p style="margin-bottom:0;" align="CENTER">
<p style="margin-bottom:0;font-weight:normal;" align="JUSTIFY">Ironia, afirmou o <a class="hiddenSuggestion" href="http://bit.ly/xsKVb" target="_blank">Estado de São Paulo</a>: pra mim, “Yes We Créu” que embalou o  twitter na comemoração da vitória carioca na disputa foi uma grande piada. Veio corroborar para a questão que abordei num t<a title="Cachorro que late não morde" href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=557FDS012" target="_blank">exto publicado no Observatório da Imprensa </a>referente ao “Fora Sarney”:</p>
<p style="margin-bottom:0;font-weight:normal;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;font-weight:normal;" align="JUSTIFY">- dançamos conforme a música, mesmo criticando; a euforia da massa nos contamina como uma espécie de histeria: e está nas duas faces da moeda. Mas não vou voltar a esse assunto. Quero tentar sintetizar minha opinião a respeito dá escolha do Rio  2016, o que não é fácil.</p>
<p style="margin-bottom:0;">
<p style="margin-bottom:0;"><strong>Ufanismo: Deus é Brasileiro.</strong></p>
<p style="margin-bottom:0;">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">A primeira impressão é de presenciar o bom e velho ufanismo chauvinista latino americano em ação. Uma coisa meio desesperadora. Enquanto uma estrangeira diz: “Gostei dessa dança. É tão tribal”, ao clicar no link que explicava o sentido da palavra Créu no trocadilho com o refrão Barack Obama &#8211; “Yes, we can”, sujeitos soltam elogios ao amado presidente por essa conquista.</p>
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">Os que defendem o sentido de conquista, buscam argumento: é uma vitória <em>para </em>os atletas; outros já vem a possibilidade de lucrar; de crescer; o velho refrão do país do por vir, do vir-a-ser, do futuro. Eu pergunto: é preciso uma olimpíada para valorização dos atletas? Eu estudei em escola pública e nunca tive uma aula de educação física decente. Joguei bola no juvenil da cidade, mas na maioria das vezes, a gente que bancava a viagem e comida; perdi até  a possibilidade de jogar uma final uma vez, porque não tinha dinheiro pra ir. Hoje a situação é pior: nem secretário de esportes temos na prefeitura de Luminárias. As divisões de base sumiram (e eu estou falando só de futebol, hein?). Natação? Atletismo? Ciclismo? Não. Quando muito umas motos barulhentas soltando CO2 na atmosfera em enduros “Ecológicos”.</p>
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY"><strong>Quem lucra e quem paga a conta: 2+2 = 5</strong></p>
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">Quanto aos lucros, eu vejo gastos. Quem vai pagar a conta das obras que vão custar duas vezes aquilo que governo gasta com o Bolsa Família, o maior “programa social” do governo Lula? Eu, você: cada um de nós. Não é atoa que o Bradesco está apoiando essa campanha com uma bela propaganda na televisão. Talvez sejam eles que vão emprestar o dinheiro ao governo: empréstimo que vai doer nos nossos bolsos. Temos a maior taxação de imposto do mundo, agora imaginem com esse gasto extra? Vocês acham que se fossem em outros tempos, digo – fora da crise, o Brasil pegaria essa “bocada”: nos estamos é com um grande abacaxi nas mãos. O povo de Chicago não queria assumir porque sabia que a hora é de conter e não gastar tanto dinheiro com uma festa.</p>
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">Ah, mas a Olimpíada traz muitos benefícios!!!</p>
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">Os Jogos Pan- Americanos não demostraram isso.</p>
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY"><strong>O Rio de Janeiro continua lindo 2016: o pavão.</strong></p>
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">E o espírito olímpico? onde fica? Bom, essa entidade abstrata não vai mudar as relações de pobreza entre as pessoas. Como eu disse no <a class="wp-caption-dd" href="http://twitter.com/Markynhu" target="_blank">twitter</a> ontem:</p>
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 367px"><img title="O pavão" src="http://mrg.bz/FU5sJ0" alt="“como um pavão vaidoso: de penas lustrosas e pés imundos”" width="357" height="268" /><p class="wp-caption-text">“como um pavão vaidoso: de penas lustrosas e pés imundos”</p></div>
<p>,</p>
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
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<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">Essa é a situação, nessa minha primeira análise. Vamos recorrer ao agiota pra enfeitar a casa, socar a poeira pra baixo do tapete, descongelar aquele pernil, trancar as crianças bagunceiras no quarto, tirar aquele jogo de louça chinesa que ganhamos da vovó e servir os convidados como não servimos a nós mesmo.</p>
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">Tomara que eu esteja errado&#8230;</p>
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY"><strong>Marcos Vinícius Almeida</strong></p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/cafebossanova.wordpress.com/474/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/cafebossanova.wordpress.com/474/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/cafebossanova.wordpress.com/474/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/cafebossanova.wordpress.com/474/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/cafebossanova.wordpress.com/474/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/cafebossanova.wordpress.com/474/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/cafebossanova.wordpress.com/474/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/cafebossanova.wordpress.com/474/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/cafebossanova.wordpress.com/474/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/cafebossanova.wordpress.com/474/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafebossanova.wordpress.com&blog=2941201&post=474&subd=cafebossanova&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>Dias e noites</title>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 03:06:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manu Quelis</dc:creator>
				<category><![CDATA[Posts]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede: conheço um que já devorou três gerações da minha família. 
Mario Quintana 
 
Hora de acordar&#8230; Jaula para o relógio! O meu despertador pensa que é um cachorrinho. Mas é selvagem e nunca conseguirei domesticá-lo. Eu só não ri deste meu primeiro pensamento ao acordar, porque [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafebossanova.wordpress.com&blog=2941201&post=466&subd=cafebossanova&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p> </p>
<p><em>O mais feroz dos animais domésticos é o <em><em>relógio</em></em> de parede: conheço um que já <em><em>devorou</em></em> três <em><em>gerações da minha família</em></em>. </em></p>
<p><em>Mario Quintana</em><em> </em></p>
<p> </p>
<p>Hora de acordar&#8230;<em> Jaula para o relógio!</em> O meu despertador pensa que é um cachorrinho. Mas é selvagem e nunca conseguirei domesticá-lo. Eu só não ri deste meu primeiro pensamento ao acordar, porque estava com tanta preguiça em minha cama quentinha, que simplesmente meus lábios se recusaram a se mover. Geralmente o primeiro pensamento ao ouvir o rugido do inimigo era: <em>Mais um dia! </em>Mas hoje este foi o segundo!</p>
<p><em>Cada um com seu</em> <em>Sveglia, Clarisse</em>!</p>
<p>Todos os dias acordo&#8230;lamento ter que acordar tão cedo e sobretudo, ter que trabalhar. Gosto do meu trabalho, mas sinceramente prefiro a cama. Após enjaular o despertador, posso esperar mais cinco minutos. Ou quem sabe, mais cinco. <em>Amor, você vai chegar atrasada, </em>diz todos os dias o homem ao meu lado. Então, me levanto cheia de preguiça, com os olhos ainda pesados. <em>Ai, hoje podia tanto ser sábado!Mas vamos lá!</em> BANHO! ROUPA! SAPATOS! CHÁ! PÃO COM REQUEIJÃO! BOLACHA DE CHOCOLATE! CARRO! BEIJINHO! BOM TRABALHO! EU TE AMO! As cenas são praticamente as mesmas e se repetem todos os dias. No trabalho, mais cenas repetidas.  E quando vem a noite&#8230; CANSAÇO! COMIDA! BANHO! CAMISOLA! CAMA! BEIJINHO! EU TE AMO! É assim até chegar a sexta-feira.</p>
<p>A sexta é quase mágica com a promessa de liberdade e a despedida do cansaço.</p>
<p>O sábado é meu! No sábado aquele bicho selvagem está enjaulado! As cenas são diferentes. A minha respiração é diferente. Os beijos e o “eu te amo” são bem diferentes. Duram o tempo que a gente quiser. No domingo lembro que a jaula logo será destrancada e o dia inteiro tem gosto de saudade!</p>
<p>Hora de dormir&#8230;<em> Jaula para o relógio, pelo amor de Deus!</em> O meu despertador pensa que é um gatinho mansinho. Embora saiba que ele é selvagem, tenho a inútil esperança de que conseguirei amansar a fera um dia.  Bem, isso não tem a menor importância enquanto houver <em>eu te amo</em> todos os dias.</p>
<p><strong>Manu Quelis</strong></p>
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	</item>
		<item>
		<title>Quase, Nelson&#8230;</title>
		<link>http://cafebossanova.wordpress.com/2009/09/25/quase-nelson/</link>
		<comments>http://cafebossanova.wordpress.com/2009/09/25/quase-nelson/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 23:23:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Manu Quelis</dc:creator>
				<category><![CDATA[Posts]]></category>

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		<description><![CDATA[Sete e meia da noite. Anita já estava se preparando pra dormir. Colocara o seu pijama de flanela e fizera um chá bem quente. Não que estivesse frio naquele dia. Muito pelo contrário, afinal de contas era verão. Mas Anita queria aconchego. Ligou o ar condicionado no máximo. Queria que aquela semana terminasse logo. Tomou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafebossanova.wordpress.com&blog=2941201&post=432&subd=cafebossanova&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;">Sete e meia da noite. Anita já estava se preparando pra dormir. Colocara o seu pijama de flanela e fizera um chá bem quente. Não que estivesse frio naquele dia. Muito pelo contrário, afinal de contas era verão. Mas Anita queria aconchego. Ligou o ar condicionado no máximo. Queria que aquela semana terminasse logo. Tomou seu chá na cama e colocou a caneca em cima do criado. Cobriu-se impaciente na esperança de que o sono chegasse logo. Os olhos se fecharam&#8230; Mas mil e uma cenas indesejadas começavam a surgir na sua cabeça! Que merda! Mais uma noite daquelas! Era duro perder alguém que se amava tanto!</p>
<p style="text-align:justify;">Tentava pensar em outras coisas, mas ficava remoendo as lembranças de Clara brincando com as suas bonecas quando eram crianças. Clara era sua prima e melhor amiga. Virava e revirava no colchão. As lembranças não davam sossego. Nunca foi tão próxima assim de alguém na vida. Tinham a mesma idade e cresceram juntas. Apesar de serem tão diferentes uma da outra, elas eram unha e carne. Na adolescência, saíam juntas. A Clara era a garota séria, estudiosa. Apesar de linda, era muito tímida e sempre pedia  ajuda à Anita, quando o assunto era garotos.  Ficar! Clara não curtia esse barato, não! E quando isso acontecia, era namoro na certa! Lembrava de como ria da prima: “Clarinha! Você vai morrer virgem desse jeito! Coitados dos caras que você pega!”. Anita já previa a reprimenda da prima: “Pega? Eu odeio esse seu jeito de falar! Eu não pego, eu namoro!” &#8211; e as duas caíam na gargalhada! Curtiam juntas. Iam e voltavam das festas&#8230; Bons tempos!</p>
<p style="text-align:justify;">Mas, cada uma tinha, agora, o seu trabalho&#8230; a sua vida. Contudo, a cumplicidade não mudara em nada. Ou quase nada! Quantas vezes ia ter que ajeitar essa porcaria de travesseiro! A Campainha tocou. Quem seria? Não esperava e não queria ver ninguém, mas levantou da cama e foi ver quem era.</p>
<p style="text-align:justify;">- Ah, você!</p>
<p style="text-align:justify;">- Não tá muito cedo pra você dormir? – disse o visitante olhando para o pijama de Anita. Era o João! O grande amor da sua vida. O único cara com quem conseguiu visualizar um futuro, casa, filhos&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">- O que você quer? Eu não quero ver nem falar com ninguém!</p>
<p style="text-align:justify;">- Eu estava preocupado!</p>
<p style="text-align:justify;">- É mesmo?</p>
<p style="text-align:justify;">- A Clara tem te ligado durante toda essa semana&#8230; Deixou recados, mas você não atende o telefone.</p>
<p style="text-align:justify;">- Volta pra lá e diz pra ela continuar tentando. Quem sabe uma hora ela consegue. Deve ser difícil fazer ligação do mundo dos mortos. Pra mim ela faleceu há uma semana.</p>
<p style="text-align:justify;">João forçou a porta e sentou no sofá.</p>
<p style="text-align:justify;">- Eu sei que está sendo difícil pra você. Mas não foi fácil pra nós. Não planejamos nada. Aconteceu. Eu amo a sua prima. E ela me ama: ponto.</p>
<p style="text-align:justify;">- Ótimo. Essa parte eu entendi. Eu só não entendi o que você tá fazendo aqui.</p>
<p style="text-align:justify;">- Nunca traímos você. A Clara tem chorado muito e a coisa mais importante, no mundo, pra ela, é manter a sua amizade. Eu sei que você tá magoada, mas&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">- MAIS IMPORTANTE O CARALHO! VOCÊS ME APUNHALARAM PELAS COSTAS!</p>
<p style="text-align:justify;">- Sem drama, Anita&#8230; Isso não é verdade. Já te explicamos como as coisas aconteceram ao acaso e como foi uma decisão difícil pra mim e pra Clara. Ela tentou evitar e eu também! Por você, pois é uma irmã pra ela.</p>
<p style="text-align:justify;">- Irmã? – riu Anita, com sarcasmo. &#8211; Acho que eu não tenho vocação pra Lúcia. E apesar de gostar de Nelson Rodrigues, não vou encarnar a irmã traída, se é isso que vocês estão pensando. Não tenho pensamentos homicidas em relação a sua Clarinha, pode ficar tranquilo. Mesmo porque pra mim ela nunca existiu. A amiga que eu tinha era uma completa farsa. Não espere que eu aja como se nada tivesse acontecido e vá de madrinha no casamento de vocês.</p>
<p style="text-align:justify;">- Anita, eu sinto muito que você tenha ficado tão magoada. No fundo você sabia que nós dois nunca daríamos certo. Você deixou claro pra mim que não tava a fim de casar agora. E você passava mais tempo viajando a trabalho, do que comigo. Eu sempre senti que sua prioridade não era ficar comigo. Você viajava tanto e eu acabava&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">- Trepando com a minha prima enquanto eu tava fora! – interrompeu Anita</p>
<p style="text-align:justify;">- Não é verdade. É que com o tempo eu descobri  que a Clara e eu tínhamos muitas afinidades. Eu te amava, Anita, mas eu comecei a amar a sua prima. E fiz minha escolha.</p>
<p style="text-align:justify;">Os olhos de Anita se encheram de água. Era um golpe forte.</p>
<p style="text-align:justify;">- Posso te fazer um pedido? – disse com a voz embargada.</p>
<p style="text-align:justify;">Ele aquiesceu.</p>
<p style="text-align:justify;">- Fica essa noite comigo&#8230; – e foi desabotoando o pijama.</p>
<p style="text-align:justify;">João ficou com a boca seca. Perturbado. Parecia uma presa pronta pra ser devorada. Aquele frio, do ar condicionado, deixava a pele de Anita arrepiada. O cabelo dela estava solto. Ela se aproximava e ele não conseguia se mover&#8230; O celular no bolso dele tocou. Era Clara. Ela sabia. Ele não atendeu, mas enquanto o telefone tocava, disse olhando nos olhos de Anita em tom decidido.</p>
<p style="text-align:justify;">- Isso nunca mais vai se repetir!</p>
<p style="text-align:justify;">Anita ficou muda. Dava pra ver no seu rosto a confusão. O que fora aquilo? Ela não tivera a intenção. Ao menos, não uma intenção racional. Para João era claramente uma questão de instinto.  Mas para ela parecia uma ação natural e totalmente involuntária. Como se ela quisesse testar se ainda tinha algum poder sobre ele e sentir menos abandonada. Mas o que aconteceria? Nunca saberia. Sorriu. Se o telefone não tocasse, ela teria ido até o fim. E, de repente, sentiu um calafrio ao lembrar de Clara.  Ainda bem que o telefone tocara. Não chegou a fazer nada do que pudesse se arrepender mais tarde e estava aliviada.  A hesitação de João fez com que ela se sentisse vingada e, ao mesmo tempo, envergonhada pelo que tinha feito. Quando aquele telefone tocou, ela teve a certeza de que nunca teria dado certo entre ela e João.</p>
<p style="text-align:justify;">- É melhor eu ir. – disse João sentindo-se irritado com aquele sorriso.</p>
<p style="text-align:justify;">- É melhor sim.</p>
<p style="text-align:justify;">Aquele sorriso na boca dela o incomodou. Mas o pior foi aquela quase cena de Nelson Rodrigues. Ele saiu batendo a porta atrás de si, querendo se ver longe dali o mais rápido possível. Anita continuou estática na sala  &#8211; sorrindo,  com seu pijama ainda desabotoado. Tinha plena consciência que tinha um motivo para ser perdoada, e, então, pôde perdoar. Desta vez, Nelson ficaria desapontado.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Manu Quelis</strong></p>
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	</item>
		<item>
		<title>Filmes do mal</title>
		<link>http://cafebossanova.wordpress.com/2009/09/19/filmes-do-mal/</link>
		<comments>http://cafebossanova.wordpress.com/2009/09/19/filmes-do-mal/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 19 Sep 2009 13:39:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Vinícius Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Posts]]></category>

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		<description><![CDATA[Clube da luta:

Mulholland Drive:

Laranja Mecânica:

Marcos Vinícius Almeida
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			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><strong>Clube da luta:</strong></p>
<p><strong></strong><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://cafebossanova.wordpress.com/2009/09/19/filmes-do-mal/"><img src="http://img.youtube.com/vi/nAfjLT2kZ-A/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p><strong>Mulholland Drive:</strong></p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://cafebossanova.wordpress.com/2009/09/19/filmes-do-mal/"><img src="http://img.youtube.com/vi/ApMyMGRa7x4/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p><strong>Laranja Mecânica:</strong></p>
<p><strong></strong><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://cafebossanova.wordpress.com/2009/09/19/filmes-do-mal/"><img src="http://img.youtube.com/vi/GNUv3DAUY2w/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p><strong>Marcos Vinícius Almeida</strong></p>
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	</item>
		<item>
		<title>A bandeira tricolor e o fervor revolucionário – Uma análise de buteco sobre a história do maior celeiro de motins e manifestações do mundo.</title>
		<link>http://cafebossanova.wordpress.com/2009/09/17/a-bandeira-tricolor-e-o-fervor-revolucionario-%e2%80%93-uma-analise-de-buteco-sobre-a-historia-do-maior-celeiro-de-motins-e-manifestacoes-do-mundo/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Sep 2009 14:36:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Guilherme Claudino</dc:creator>
				<category><![CDATA[Posts]]></category>

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		<description><![CDATA[A cidade de Paris, além do seu charme aristocrático que encanta os amantes, possui também o título da capital dos “panelaços” e das manifestações de rua. Essa informação me intrigou ainda mais quando ouvi um respeitado historiador Sanjoanense dizer em um debate que “o povo francês que não é banana como o povo brasileiro, foi [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafebossanova.wordpress.com&blog=2941201&post=412&subd=cafebossanova&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>A cidade de Paris, além do seu charme aristocrático que encanta os amantes, possui também o título da capital dos “panelaços” e das manifestações de rua. Essa informação me intrigou ainda mais quando ouvi um respeitado historiador Sanjoanense dizer em um debate que “o povo francês que não é banana como o povo brasileiro, foi às ruas e parou o país”.</p>
<p>Normalmente, nos debates historiográficos, acepções como essa que tipificam as nações como revolucionárias, apáticas ou pacíficas por natureza, são amplamente rejeitadas. O grande incômodo por parte dos historiadores é com relação às explicações da “natureza” do presente pautadas meramente no passado (muitas vezes longínquo).</p>
<p>Em um primeiro momento achei uma bobagem a afirmação de que o povo francês não era “banana” e por isso ia as ruas. Mas um dia me perguntei: Qual o motivo desse país ter tantas manifestações de rua enquanto no Brasil elas são tão mal vistas?  Será que somos um povo “banana”?</p>
<p>Aí vai minha limitada e humilde resposta de historiador de buteco:</p>
<p>Lendo o 18 de Brumário de Marx me deparei com uma escrita maravilhosa, digno de um grande romancista. Uma frase desse livro ficou martelando na minha cabeça: <em>“A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses períodos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxilio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de apresentar e nessa linguagem emprestada”. </em></p>
<p>Ele faz referência, assim, aos revolucionários franceses que utilizavam os símbolos romanos. Marx está se atentado nessa passagem para a construção de um imaginário revolucionário e de uma legitimidade referencial no tempo, construída através de símbolos (bandeiras, hinos, estátuas).</p>
<p>O leitor pode perguntar, o que isso tem a ver com o caráter “revolucionário” do francês?<br />
Bom, o atual hino francês era o hino das jornadas revolucionárias durante a Revolução Francesa (marchem), a atual bandeira francesa é também herdada da Revolução Francesa. Existem monumentos e comemorações tradicionais da Revolução Francesa que fazem parte de um orgulho nacional que é reforçado pela escola e pelo próprio Estado. Sugiro que a constante atualização dos símbolos revolucionários imputou na “cultura” francesa uma visão positiva das manifestações de rua. Eregiu-se, assim, uma memória coletiva elogiosa a ocupação das ruas para reivindicações.</p>
<p>As “manifestações” e as “lutas revolucionárias” da Revolução Francesa se repetiram no século XIX com a Revolução de 1848 e no XX com o maio de 68. Basta acompanhar o noticiário, as maiores greves e manifestações nesse ano de 2009 com relação à crise financeira foram na França. Podemos lembrar também da lei do primeiro emprego ( se não me engano em 2008 ou 2007) que não foi bem aceita e mobilizou milhares de jovens, que a partir de constantes e insistentes manifestações inviabilizaram o decreto do Estado. E mais, o governo tentou mexer na aposentadoria há alguns anos atrás, batata: Rua, faixas, hinos.</p>
<p>Vale lembrar que tudo isso não faz que os franceses sejam menos conservadores politicamente do que nós brasileiros. Sarcozy disse ano passado que o maio de 68 foi uma perda de tempo, fazendo duras críticas às manifestações “revolucionárias”.</p>
<p>Podemos citar também a aproximação entre Jack Chirac com o italiano de extrema-direita Berlusconi na caça a memória comunista européia (caso Batisti). Nesse caso vale lembrar que “as memórias das lutas são lutas de memória”. È o que se percebe na Itália, onde o grupo ligado a Berlusconi tenta a qualquer modo imputar uma imagem negativa aos movimentos comunistas. A França enfrenta também os limites sociais da gramática de poder neoliberal/tecnicista/mercadológico, por isso não podemos cair na visão mítica de um povo essencialmente “revolucionário” e “livre”.</p>
<p>Sugiro que alguém me explique o caso dos constantes “panelaços” de Buenos Aires. Ainda não tenho minha tese de buteco.</p>
<p><strong>Guilherme Pereira Claudino</strong></p>
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	</item>
		<item>
		<title>O olho</title>
		<link>http://cafebossanova.wordpress.com/2009/09/12/o-olho/</link>
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		<pubDate>Sat, 12 Sep 2009 18:30:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcos Vinícius Almeida</dc:creator>
				<category><![CDATA[Posts]]></category>

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		<description><![CDATA[


existem aqui:
 mais ou menos trezentas pessoas e o olho não presta; mas não se engane leitor, não é do tipo de ausência presente: poesia tagarelada nas aulas de Heidegger;  é de outra lonjura que a retina manca: nem tchum pra tanta cabeça: cabelo: couro cabeludo: e por dentro alguém que nem é aquilo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafebossanova.wordpress.com&blog=2941201&post=399&subd=cafebossanova&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } --></p>
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<div id="attachment_403" class="wp-caption alignleft" style="width: 160px"><img class="size-thumbnail wp-image-403" title="IMG_3036" src="http://cafebossanova.files.wordpress.com/2009/09/img_30361.jpg?w=150&#038;h=112" alt="se eu fosse médium: encorporava você: nesta cadeira azul pra ver o que eu não vejo;" width="150" height="112" /><p class="wp-caption-text">se eu fosse médium: encorporava você: nesta cadeira azul pra ver o que eu não vejo;</p></div>
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">existem aqui:</p>
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY"><a name="firstHeading"></a> mais ou menos trezentas pessoas e o olho não presta; mas não se engane leitor, não é do tipo de ausência presente: poesia tagarelada nas aulas de Heidegger;  é de outra lonjura que a retina manca: nem tchum pra tanta cabeça: cabelo: couro cabeludo: e por dentro alguém que nem é aquilo mesmo. pior de tudo: sou jovem demais; foge da minha jurisdição adjetivá-las de fadigadas; em primeira instância perdi as pernas; em segunda estância o controle;  no supremo Ela me tomou o juízo; não; não; não, leitor! metáforas só vão embaralhar a vista: tampar o sol com a peneira, isso sim! esse comichão na nuca: carujando lembrança que nem vai: preguiça do aqui, leitor: apodrece: cavuca silêncio: ferroando no vão: em vão; ah, leitor! você não compreende essa coisa; não dá pra engolir feito aprazolam genérico e dormir; ah, se eu fosse médium: encorporava você: nesta cadeira azul pra ver o que eu não vejo;</p>
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">um momento leitor:</p>
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">não é Ela;</p>
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY">estão fazendo uma fila bem ali na frente. Como no INSS só que sem doenças, sem tantas doenças, pelo menos: sem doenças de má-fé, pra ser mais exato. Querem tirar fotos comigo, desocupados!  Mas vou dizer um negócio: &#8211; fiz previsão destas burocracias: mais ou menos trezentas pessoas e o olho digere uma única ausência; essa camisa social que estou usando é novinha, leitor; mas o tênis, como você pode ver muito bem, é aquele de sempre; aquele que usei ontem; você se lembra, hein? só passei um pano na ponta dele pra tirar os pisões no pé; a camisa está um pouco amarrota nas costas: foi por calor: riçado na bunda e na cadeira; pare a leitura leitor; deixe minha bunda suada em paz; não preste atenção nesses acidentes: esqueça; o que eu preciso dizer é outra coisa: bem simples, aliás: mais ou menos umas trezentas pessoas e o olho não vê só Ela: ou só vê Ela; gruda na ausência feito mosca em papel grudento (papel pega mosca se preferir); que nem olho de pião em bunda de crioula: cachorro em frango de padaria: criança em videogame: o olho pregado na cruz invisível: esqueça essa cruz, aliás esqueça toda a frase anterior. não sou burro, leitor; literatura é um plágio enfeitado da vida; puro congelamento: escrevo essas coisas porque não posso viver: mais ou menos trezentas pessoas e o olho não presta atenção no que vê.</p>
<p style="margin-bottom:0;" align="JUSTIFY"><strong>Marcos Vinícius Almeida</strong></p>
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		<title>“Ihhh&#8230;ele chegou!”</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Sep 2009 02:18:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Felipe Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Posts]]></category>

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		<description><![CDATA[Você está no barzinho com seu amigos, conversando e se divertindo&#8230;e eis que ele aparece: o chato de bar! Ele sempre chega depois da galera, pois gosta de ser visto e de ver o temor nos olhos dos colegas; isso aumenta seu ego, alimenta sua alma; o chato sempre está perto de alguém, sozinho ele [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafebossanova.wordpress.com&blog=2941201&post=382&subd=cafebossanova&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p style="text-align:justify;">Você está no barzinho com seu amigos, conversando e se divertindo&#8230;e eis que ele aparece: o chato de bar! Ele sempre chega depois da galera, pois gosta de ser visto e de ver o temor nos olhos dos colegas; isso aumenta seu ego, alimenta sua alma; o chato sempre está perto de alguém, sozinho ele não se aguenta, o chato deseja sua atenção, o chato precisa do seu ar.</p>
<p style="text-align:justify;">Todos na mesa trocam olhares para encontrar o responsável pelo convite&#8230;em vão&#8230;ele nunca é convidado, mas aparece mesmo assim, entra no bar e trata logo de buscar uma cadeira para se acomodar ao lado dos “amigos”. O chato, na verdade, não é amigo de ninguém, mas acha que todos que convivem com ele são seus amigos e por isso devem suportá-lo.</p>
<p style="text-align:justify;">O chato é inconveniente, inoportuno e jamais permanece em silêncio, ele sempre fica perguntando e incomodando todos à sua volta; e nem adianta reclamar, o chato é masoquista, gosta de ser xingado e sentir a importância de sua irritante presença. Seu maior sonho é ser realmente convidado por algum colega para uma festa ou barzinho&#8230;mas no fundo sabe, que se isso ocorresse, ele não seria mais chato e nada mais teria graça&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">O chato também gosta de cerveja, mas da cerveja dos outros, e por isso, já está com seu copo em mãos para roubar um pouquinho dos demais&#8230;O chato também fuma, mas só os cigarros dos outros, seu prazer está em “filar” os cigarros dos “amigos”&#8230;importunando-os toda hora! Ele, na realidade, não gasta um centavo no bar, nem anda com carteira; pois sabe que ninguém se importará com isso, desde que ele vá embora o mais rápido possível do bar&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">O chato só vai embora quando perceber que sua hegemonia na mesa está por um fio&#8230;quando perceber que seu reinado está prestes a desmoronar e sua figura estiver rumando ao ostracismo; ou seja, ele só vai embora quando surge a figura de um chato superior: o bêbado! O bêbado é o chato inconsciente e seu maior inimigo, por isso, o chato vai embora antes que isso ocorra, para salvar seu reinado de chatice e para se satisfazer com a alegria de todos por sua saída&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Assim, o chato se levanta da mesa, e sem gastar nada, volta para sua casa&#8230;satisfeito, com sua honra inabalada e seus chatos valores intocáveis, com o sentimento de missão cumprida e com planos para o próximo evento. E nem adianta se esconder, o chato conhece, como ninguém, todos os barzinhos e baladas da região e &#8211; como se dotado de um instinto da chatice &#8211; é capaz de descobrir exatamente onde você e seus amigos estão, sempre.</p>
<p style="text-align:justify;">Observação: O genial Tom Jobim, frequente vítima dos chatos de bar, possuía uma arma secreta: os óculos de sol. Segundo ele, o chato se desorienta quando evitamos o contato visual, e assim, nos deixa em paz! Dica do mestre.</p>
<p><strong>Felipe Ferreira</strong></p>
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		<title>anacrônica ansiedade</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Sep 2009 02:28:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maria</dc:creator>
				<category><![CDATA[Posts]]></category>

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		<description><![CDATA[Esfregava as mãos vigorosamente sobre a calça jeans numa tentativa inútil de amenizar o frio úmido daquela varanda do bar. Falava elétrica, mulher de  idéias. Segurava o cigarro do maço que seria abandonado quase cheio sobre a mesa no final da noite, mas a cerveja era bebida lentamente. Fazia de tudo para esconder o nervosismo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=cafebossanova.wordpress.com&blog=2941201&post=370&subd=cafebossanova&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>Esfregava as mãos vigorosamente sobre a calça jeans numa tentativa inútil de amenizar o frio úmido daquela varanda do bar. Falava elétrica, mulher de  idéias. Segurava o cigarro do maço que seria abandonado quase cheio sobre a mesa no final da noite, mas a cerveja era bebida lentamente. Fazia de tudo para esconder o nervosismo do tempo que se esgotava desde que recebeu uma ligação do banco de sêmen. Dois dias era o que tinha para decidir engravidar, manter congelado o sêmen do marido morto por mais um ano, ou descartá-lo.</p>
<p>Não fumava mas não se importava com o cigarro da amiga. Gostava mesmo era do chopp dose dupla das terças feiras. O cachorro enroscava-se aos seus pés, entediado com o programa noturno. Era a mais alegre dali, piadista, irônica. Naquela noite, era disfarce. O bichinho olhando para ela com as pálpebras caídas a fazia lembrar que dali a dois dias  encontraria o ex marido, que viria buscá-lo.</p>
<p>Nem gostava tanto assim de beber. Preferia a convivência, as luzes da noite. Ora falava muito, ora nada falava. Olhava para as unhas, curtas maltratadas e sentia-se satisfeita por ter passado uma semana tão ocupada. Em cabeça ocupada não há espaço para idéias más. Só que seu coração batia acelerado, desta vez de tristeza. Eram apenas dois dias e iria encontrá-lo. Dizer que sabia a verdade? Não sabia o que fazer.</p>
<p>Voz baixa, mãos grandes. Um chá gelado, por favor. Era a mais nova da mesa. Ainda pensava se valeria a pena lutar pela renovação de seu contrato ou não: era o preço por uma experiência, mas não lhe enchia os olhos. Queria ir além. Mal sabia que dois dias depois uma vida estaria dentro dela e a sua própria nunca mais seria a mesma.</p>
<p>Para ela, nada gelado. Nada com álcool. O pastel daqui é bom? Sentia muito frio. Se vestia com o bom e o melhor, sempre o mesmo perfume, o cabelo curto era moderno. Tinha um bom emprego e no geral estava feliz. Bem, isso se não fosse o senhorio pedir-lhe o apartamento que acabara de reformar. Faltavam dois dias para sair e ainda não tinha arranjado outro.</p>
<p>Bebia como toda mulher do interior de Minas. Mas só bebia quando o marido vinha buscá-la, pois tinha total e completo senso de responsabilidade em relação a beber e dirigir. Era uma noite dessas. Sempre deslumbrante em sua beleza singela. Mas encimando o sorriso, um olhar quase desesperado. Em dois dias iria rever a família, e junto, as cobranças por um casamento de 12 anos sem filhos.</p>
<p>Era atenta e mal mostrava os dentes. Porém simpática. Rápida, limpa, inteligente. Com alguns até desenvolvia uma conversa mais amigável. Naquele dia pôde parar e observar aquela mesa de mulheres falando alto, muito alto, rindo. Alguma confraternização? Não se deu ao luxo de especular mais. O cliente da mesa ao lado já a chamava. Dispensou-lhe a atenção de sempre. Dois dias e pediria demissão pois, finalmente, conseguira montar o seu salão de beleza.</p>
<p><strong>Maria</strong></p>
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