“Crepúsculo dourado. Frases calmas. Gestos vagarosos.
Música suave. Pensamento arguto. Sutis sorrisos.
Paisagens deslizando na distância. Éramos livres.”
Jorge de Sena, poeta português, em Ode para o Futuro.
“Crepúsculo dourado. Frases calmas. Gestos vagarosos.
Música suave. Pensamento arguto. Sutis sorrisos.
Paisagens deslizando na distância. Éramos livres.”
Jorge de Sena, poeta português, em Ode para o Futuro.
… e depois permaneceram por um tempo ali, largados, semi-nus, semi-vestidos, que na intimidade condizente com a relação que tinham não havia lugar para corpos entrelaçados. Ele passeava com os dedos na linha de pele que ficava à mostra entre a camiseta e seu sexo vestido. Forçando mais para baixo o elástico, sorriu e disse a ela: “você também não é muito adepta de depilações radicais”. Ela não conteve a risada. Ele continuou: “eu gosto”.
Maria
Num desses escuros becos da História brasileira, me deparei com uma pergunta que instigou profundamente minha curiosidade: Qual terá sido a dimensão do golpe de 1964 em Varginha?
Com essa dúvida iniciei minha jornada por essa fascinante vereda. Meu interesse é em específico pelos opositores ao golpe, aqueles que foram perseguidos e resistiram ao governo ditatorial.
Em busca de relatos cheguei a alguns nomes e acabei restringindo minha pesquisa para os que haviam sido perseguidos e presos.
Por intermédio do meu tio, vulgo Nico da Cive, marquei o encontro com um senhor, que pelas circunstâncias prefiro omitir o nome, para fazer algumas perguntas e coletar algumas informações. Chegando ao local combinado tomei um banho gelado logo de cara. O homem de cabelos brancos, de idade avançada e uma firmeza ao cumprimentar que não condiz com sua idade, se recusou a falar. Disse que esse passado o atormenta, que são lembranças tristes, que viu muita coisa e que dói mexer nesse baú da memória. Apenas me deu alguns outros nomes de pessoas que haviam sido presas. Senti naquele aperto de mão da despedida a força de um homem esquecido na memória coletiva da cidade.
Esse silêncio em um primeiro momento me deixou decepcionado. Mas como para o historiador até o silêncio pode ser uma fonte, tentei pensar sobre o ocorrido. E por uma questão de raciocínio lógico, que nem sempre é o melhor caminho na área das ciências humanas, cheguei a uma conclusão. Se esse homem teme publicizar esse passado é porque ele realmente foi atemorizante, o que nos leva a repensar a repressão militar no interior do país, quase nunca levada muito a sério, já que se parte do pressuposto que tanto a resistência como a repressão se encontravam centralizados nos grandes centros.
Pensei algo mais. Como é triste e até revoltante ver que muito desses homens foram esquecidos e podem morrer quase que no anonimato, enquanto braços da ditadura estão na ponta da língua da memória política local e mais, que círculos políticos ligados a esses nomes continuam na ativa e com grande força local e até com projeção nacional. “A memória de lutas são lutas de memória”, por isso mexer nesse baú pode ocasionar certos incômodos que ferem a construção de algumas imagens e nomes de famílias e políticos da cidade.
Como a memória individual, a memória coletiva é também seletiva. Alguns fatos são escolhidos para ficar de fora da prateleira da história e outras para serem expostos em outdoors. O passado muito das vezes é à base de legitimidade do presente. Grande parte dos discursos políticos são pautados em referências que os ligam a um nome, grupo ou fato do passado.
Não quero recuperar aqui debates sobre esquerda e direita. Capitalismo ou Comunismo. Só acho que nossa cidade não pode morrer de Alzheimer
Guilherme Pereira Claudino

O abacaxi é nosso
Guerra é paz
Liberdade é escravidão
George Orwell, 1984
O esporte é o ópio do povo
Ironia, afirmou o Estado de São Paulo: pra mim, “Yes We Créu” que embalou o twitter na comemoração da vitória carioca na disputa foi uma grande piada. Veio corroborar para a questão que abordei num texto publicado no Observatório da Imprensa referente ao “Fora Sarney”:
- dançamos conforme a música, mesmo criticando; a euforia da massa nos contamina como uma espécie de histeria: e está nas duas faces da moeda. Mas não vou voltar a esse assunto. Quero tentar sintetizar minha opinião a respeito dá escolha do Rio 2016, o que não é fácil.
Ufanismo: Deus é Brasileiro.
A primeira impressão é de presenciar o bom e velho ufanismo chauvinista latino americano em ação. Uma coisa meio desesperadora. Enquanto uma estrangeira diz: “Gostei dessa dança. É tão tribal”, ao clicar no link que explicava o sentido da palavra Créu no trocadilho com o refrão Barack Obama – “Yes, we can”, sujeitos soltam elogios ao amado presidente por essa conquista.
Os que defendem o sentido de conquista, buscam argumento: é uma vitória para os atletas; outros já vem a possibilidade de lucrar; de crescer; o velho refrão do país do por vir, do vir-a-ser, do futuro. Eu pergunto: é preciso uma olimpíada para valorização dos atletas? Eu estudei em escola pública e nunca tive uma aula de educação física decente. Joguei bola no juvenil da cidade, mas na maioria das vezes, a gente que bancava a viagem e comida; perdi até a possibilidade de jogar uma final uma vez, porque não tinha dinheiro pra ir. Hoje a situação é pior: nem secretário de esportes temos na prefeitura de Luminárias. As divisões de base sumiram (e eu estou falando só de futebol, hein?). Natação? Atletismo? Ciclismo? Não. Quando muito umas motos barulhentas soltando CO2 na atmosfera em enduros “Ecológicos”.
Quem lucra e quem paga a conta: 2+2 = 5
Quanto aos lucros, eu vejo gastos. Quem vai pagar a conta das obras que vão custar duas vezes aquilo que governo gasta com o Bolsa Família, o maior “programa social” do governo Lula? Eu, você: cada um de nós. Não é atoa que o Bradesco está apoiando essa campanha com uma bela propaganda na televisão. Talvez sejam eles que vão emprestar o dinheiro ao governo: empréstimo que vai doer nos nossos bolsos. Temos a maior taxação de imposto do mundo, agora imaginem com esse gasto extra? Vocês acham que se fossem em outros tempos, digo – fora da crise, o Brasil pegaria essa “bocada”: nos estamos é com um grande abacaxi nas mãos. O povo de Chicago não queria assumir porque sabia que a hora é de conter e não gastar tanto dinheiro com uma festa.
Ah, mas a Olimpíada traz muitos benefícios!!!
Os Jogos Pan- Americanos não demostraram isso.
O Rio de Janeiro continua lindo 2016: o pavão.
E o espírito olímpico? onde fica? Bom, essa entidade abstrata não vai mudar as relações de pobreza entre as pessoas. Como eu disse no twitter ontem:
“como um pavão vaidoso: de penas lustrosas e pés imundos”
,
Essa é a situação, nessa minha primeira análise. Vamos recorrer ao agiota pra enfeitar a casa, socar a poeira pra baixo do tapete, descongelar aquele pernil, trancar as crianças bagunceiras no quarto, tirar aquele jogo de louça chinesa que ganhamos da vovó e servir os convidados como não servimos a nós mesmo.
Tomara que eu esteja errado…
Marcos Vinícius Almeida