Sem maluco, sem beleza

12 01 2011

Quando acabar, maluco é quem ficar por aqui: Minha parte eu quero em pinga

Guilherme Claudino – Barão de Frei Eustáquio





Ao Efêmero

3 10 2010

Se eu não voltar, avise meus amigos que encontrei a resposta para a vida [se a entenderei, já é outra coisa]. Doe tudo o que era meu [se fossem minhas teriam partido comigo]. Ao meu sangue, faço questão que peça uma lembrança [aprendi com eles a contar histórias – mas se rir demais tenha certeza que é exagero!]. Ao mundo: demonstre minha gratidão e respeito [do Sul de Minas, o mar é sempre poesia]. Ao povo, divida com eles a luta contra a indiferença [você encontrará outros como nós – acredite, eles existem]. Aos nossos inimigos, não esqueça de mandá-los todos à merda [com todas as letras].

Nos encontramos no infinito.

André Paravizo





O acaso democrático

29 09 2010


A primeira dúvida da humanidade foi resolvida no “cara ou coroa”, já que o homem não sabia se pedia ou não uma companhia para Deus.

A segunda pendência foi resolvida no “par ou ímpar”, quando Adão e Eva disputaram, as escondidas, quem comeria a maçã.

O “zerinho ou um” surgiu de uma demanda maior. O impasse surgiu quando em assembléia, Caim, Abel, Adão e Eva, decidiram quem deveria ser o primeiro humano a morrer na terra.

Essa é a linha evolutiva da democracia do acaso, que segundo os gregos antigos é a única forma de atingir a total imparcialidade frente às incertezas.

A dúvida é filha da humanidade. E, cá para nós, tem pendengas que apenas a sorte pode resolver

Guilherme Claudino – Barão de Frei Eustáquio





Para os não brasileiros

30 08 2010

Se você não gosta de carnaval não é brasileiro. Estou certo de que essa frase é limitada e abandona fatias enormes da realidade. Estou consciente de que a nacionalidade é uma construção histórica e não algo intrínseco e natural.  Sei que essa afirmação vai ser criticada. Mas mesmo assim eu repito, “se você não gosta de carnaval não é brasileiro”.

Uma frase talvez vazia. Mas autoconsciente. Toda análise lúcida precisa de reconhecer suas limitações e tudo aquilo que eliminou como fator explicativo. Toda análise tem de se fazer refutável.

Voltando ao raciocínio

Se você acha ridículo os passinhos coletivos, quase sempre criados espontaneamente, além de não ser brasileiro, tem fortes traços de individualismo.

Se você, no meio do balocabaco, no auge da avenida, fica pensando em higiene, com nojo de suor e etc, você não é brasileiro e provavelmente sofre de algum TOC.

Se você ignora os tambores africanos por considerar um instrumento menor, além de não ser brasileiro, provavelmente o seu corpo não ouve e não fala.

Se você não tem a diplomacia necessária para resolver um pequeno incidente carnavalesco como pisões no pé e empurrões, você não é brasileiro, além de ter pouquíssima chance de entrar para o Itamaraty.

Se você não gosta de virar noites e amanhecer sambando com o sol, além de não ser brasileiro é bom que procure um geriatra.

Se você não tem esportiva e briga por coisas pequenas como uma cerveja derramada e um olhar para o seu parceiro(a), você não é brasileiro e é bom que procure um veterinário.

Se você não se sente bem abraçando e cantando com pessoas que nunca viu na vida, além de não ser brasileiro, deve ter um ciclo de amigos extremamente pequeno.

Se você acha que o esfrega-esfrega do Carnaval é uma “orgia” tipicamente tupiniquim, além de não ser brasileiro, provavelmente é um falso moralista e não conhece as mulheres do norte e leste europeu.

Se você acha que o carnaval, assim como o futebol, são instrumentos da classe dominante para anestesiar o “povo”(e você não se inclui nele), você pode ter até certa razão, mas precisa refinar seus estudos em cultura política e comportamento eleitoral.

Se você gosta de tudo isso que falei, mas só se sente bem no camarote, você não é brasileiro e compra a fantasia só porque o Jornal Hoje disse que está na última moda.

Se você é brasileiro, então venha comigo que o bloco já vai passar…

Guilherme Claudino – Barão de Frei-Eustáquio





Sonhei que era teu preferido…

14 06 2010

Toda mulher tem seu brinco, seu anel, sua calcinha, sua bolsa, seu perfume e sua roupa favorita. Tem também a combinação desses elementos que mais lhe agrada. Existem algumas peças que não são consideradas “as melhores”, mas agradam muito as damas, que acabam se apegando as essas “mais ou menos”.

O engraçado é que tem algumas roupas/adereços que as próprias mulheres consideram ridículas, e não conseguem explicar porque gostam, reconhecem a breguice, mas simplesmente gostam e usam sempre que podem.

Grande parte das mulheres coleciona roupas e jóias que nunca saem do guarda-roupa, o argumento é sempre o mesmo: – É sempre bom ter opção, agrada aos olhos. Mesmo que em última instância eu não o use, a hora que quiser é só pegar.

A escolha de usar certa peça ou não varia muito de acordo com o lugar, a hora, a ocasião e, claro, com a combinação dos astros e a posição de Vênus.

Sabe o que é mais assustador disso tudo? Pensar que a relação das mulheres com os homens segue essa mesma lógica.

Mais um anel no seu dedo, literalmente na sua mão?

Agora eu entendo o Tom: “ lhe trouxe um anel verdadeiro, sonhei que era teu preferido”

Guilherme Claudino (Barão de Frei-Eustáquio)





No fundo do poço

25 05 2010

No fundo, bem no fundo, você vai entender que não existe nada a se entender.

Monge Tibetano, Claudino Pereira Guilherme





Rebolation é bom bom bom

19 05 2010

O texto não vai aferir juízos de valor a tal música, mas tendo ela como base, tentarei fazer algumas reflexões sobre o estereótipo do intelectual.

Quando se fala em intelectual, em pensador, a primeira imagem que temos é de um cara de óculos, todo certinho, com uma roupa que combine dos sapatos a gravata, tomando café sem açúcar, armado de palavras complexas e incapaz de pular uma noite de carnaval. Temos em contraponto a essa imagem, a do “filósofo” alheio aos padrões de vestimenta e comportamento, tendo de necessariamente se adornar como hippie e falar jargões como: “Só”, “to ligado”, “podicrê”.

Em ambos as representações o “pensador” (Não estou falando do Gabriel o dito pensador) é sacralizado, visto como algo externo a “massa”, excêntrico e exótico. È, assim, idealizado como um indivíduo essencialmente com dificuldades de se “enquadrar” nos padrões da população em geral e que sente prazer nessa condição Resumindo e mandando logo no popular: Intelectual não rebola.

Outra questão que está em ambas às imagens é o pavor que os “pensadores” tem de ser classificados na mesma taxionomia que o “povão”. O “intelectual” quer ser sempre antropólogo, olhar por de fora da bolha social. Quer ser diferente, já que a massa, a massa, ah  a massa é burra né? No popular, tem medo de ser mais um na multidão (É não é isso que de fato somos?).

Considerar-se alheio ao coletivo e especial em seu existir ( o famoso última bolacha do pacote) é reativar duas questões já resolvidas dentro da ciência: Primeiramente que não existe indivíduo sem sociedade, somos todos de alguma forma conectados e partilhamos de idéias com o dito povão ignorante, a outra é que não somos o centro do universo, o homem não é a medida de todas as coisas,  somos mais uma espécie. Quando refletimos sobre nós e o mundo tendemos a esquecer da biologia evolutiva e da astronomia.

Os “intelectuais” são tradicionalmente vistos como pessoas que refletem sobre o todo, que todo é esse eu não sei, mas que “eles” adoram largar o todo e dar preferência ao homem pelo homem, dando a ele uma áurea santificada e transcendental, isso eu percebo claramente. Não são esses que “pensam” que de forma geral se horrorizam com esse tipo de atitude por parte das religiões?

Para esse estereótipo de pensador, não rebolar é um ato de resistência a massificação da mídia, a dominação, a imposição de gostos e blá blá. Não rebolar para enfrentar o “sistema” e a mesma coisa que não tomar coca-cola para derrubar o capitalismo. Existem várias formas de rebolar que não necessariamente com os quadris.

Não rebolar não é resistência, é vaidade, é apego com a condição do corpo e da imagem. Mais uma vez a ciência sente-se ferida nesse ponto. Já que o homem é mais uma vez colocado como ponto de referência do universo.

Tendo em vista tudo que levantei até agora, considero que rebolar é um ato de humildade e desapego. Rebolar é um ato revolucionário de reconhecimento da condição humana. Estamos todos juntos num espaço desconhecido, desde a poeira de Plutão, as estrelas de outras galáxias, passando pelo mar de Copacabana e nossas deliciosas paçoquinhas. Tudo girando. Tudo rebolando. E você ainda vem me dizer que é diferente cara pálida? Que te traz consigo, apenas consigo, a verdade universal?  Que o seu jazz é melhor que o meu carnaval?

Ah, já ia me esquecendo: “Põe a mão na cabeça que vai começar, o rebolation chon chon o rebolation”

Observações:

Reconheço que o ato de pensar e refletir é em si individual, solitário, mas reside em gramáticas de “condicionamento” que você e o individuo do vídeo a seguir compartilham: http://www.youtube.com/watch?v=5_uQSUw307Y

Não vão achar que sou dançarino profissional e saio por ai rebolando como o Carlinhos de Jesus. Tampouco que acho que todo mundo tem que rebolar para existir e ser feliz. O rebolar pode ser entendido como um conceito amplo.

Também não pensem que acredito estar totalmente fora desses estereótipos que ironizei.

Ah, eu adoro Jazz, assim como carnaval.

Guilherme Claudino – Barão de Frei-Eustáquio